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Estrelas Na Estrada – Parte 3

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Perdeu a parte 2? Leia aqui.

De volta a Belém…

O sol já havia desaparecido atrás dos montes e apenas a insegura claridade do anoitecer teimava em permanecer. O lusco-fusco tornava mais difícil a caminhada para o casal, mas eles já estavam quase entrando no vilarejo. Porém, não foi difícil para Zaniel perceber imediatamente o vulto que saía do pequeno aglomerado de casas e vinha em direção a eles. Um sorriso se formou em seu rosto.

– Quem diria? Eu quase havia me esquecido…

Dara seguiu o olhar do companheiro, em direção à aldeia.

– Quê? Ahn… Quem?…

– Ariel!!

– Aquele é Ariel? O Ariel? – Perguntou Dara olhando para o estranho que se aproximava e que, sem ser visto ou percebido, cruzava agora com José e Maria.

– Exatamente! Ele tem atuado nessa região muitas vezes, mas não achei que estaria aqui agora.

Ariel tinha o aspecto de um guerreiro fabuloso. Era mais alto que qualquer dos outros dois e tinha volumosos cabelos cor de mel. Seu olhar era penetrante, como de todos os anjos, mas com um certo ar felino. Ainda assim, toda a expressão de seu rosto transmitia cordialidade e grande alegria. Um enorme sorriso estampava seu rosto.

– Salve, Luzes do Amanhecer!! Chegam nos limites da noite, mas trazem o brilho d’Ele com vocês!! Zaniel!! Quanto tempo!!

Os dois se abraçaram fortemente. Irradiavam alegria – e alguma surpresa.

– O que você faz aqui… de novo?

– Perguntou Zaniel.

– Você sabe que eu sempre tive predileção por essas montanhas. As terras altas de Judá são como minha casa. Então, quando soube que o tempo tinha chegado, pedi permissão para vir. Consegui imediatamente!!

– Fácil assim? Geralmente não é tão simples. – Interrompeu Dara, que começava a se sentir parte da paisagem.

– Desculpe, Ariel. Não apresentei meu companheiro. Este é Dara. Fomos designados para acompanhar o casal.

– Salve Dara!! Quem anda com Zaniel deve estar entre os mais experientes, com certeza. Seja bem-vindo!! E, sim, também achei estranho uma liberação tão rápida. Mas tive a impressão de que querem muitos de nós aqui, esses dias. É sua primeira vez em Belém?

Os três já estavam novamente junto do casal, que se apressava para chegar à vila com alguma luz.

– Sim, primeira vez. Essa região é um lugar especial, não?

Um brilho – se é possível – passou pelos olhos de Ariel.

– Sim, é. Desde os tempos antigos. Eu me lembro como se tivesse sido na madrugada passada… – Os olhos do anjo olhavam para o norte, mas ele não parecia estar vendo a campina que se estendia naquela direção; parecia estar vendo além.

– Um pouco mais de 20km, depois de Jerusalém.

– O quê? – Perguntou, ansioso, Dara.

– Jacó sonhou. Lembra? Uma escada? Eu estava na escada. O sonho foi uma projeção das escadarias do Trono. Eu estava lá…

– Tempos depois – continuou –, ele enterrou Raquel nessa estrada. Aquele foi um dia triste: nasce um filho, morre uma esposa… Foi bem ali, perto daquela elevação em forma de rampa – que, na época, não existia ainda.

– Os peregrinos vêm orar naquela construção, mais adiante. – interpelou Zaniel.

– Então são dois erros, não meu amigo? Um, o de buscar a intercessão dos mortos; o outro, fazer isso no lugar errado… Os humanos…

José e Maria haviam entrado na vila e se dirigiam para a principal estalagem do lugar. Um décimo de segundo e os anjos estavam com eles.

– Bem… Finalmente chegamos. – Disse Dara.

– Sim, apesar da demora.

– Você sabe que nunca há demora nos planos dEle.

– É, eu sei. – Finalizou Zaniel.

– Você dizia que esse é um lugar especial, Dara! – Ariel falava com a voz ligeiramente alta, como que entusiasmado.

– E não é mesmo?

– É. Faltou mencionar o evento que nos fez vir pra cá, acontecido bem depois da era dos patriarcas… Davi!

– Sim. Essa criança vai nascer na cidade natal do Grande Rei. – Falou Zaniel.

– Então… Um príncipe. Um príncipe nascido de pais sem reino… – Dara observou.

– E, ainda assim, o Reino Lhe será dado! – Ariel tinha o rosto mais brilhante ainda.

Dara se virou para ele e perguntou, intrigado:

– Você sabe de alguma coisa que nós não sabemos?

Ariel olhou para os dois. Um leve sorriso se formou no canto dos lábios.

– Só desconfio… Vamos. O lugar está cheio. Acho que podemos nos materializar aqui sem problemas. Vejamos o que eles estão fazendo na estalagem.

Dizendo isso saiu na frente em direção à porta por onde o casal tinha entrado.

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