Final
Três horas depois
– Isaías?
– É. Isaías.
– Posso imaginar várias razões, Dara. Por que, especificamente?
Zaniel, Dara e Ariel estavam sobre a elevação, acima da gruta-estrebaria. Estavam em forma humana, sentados e conversando sobre tudo o que tinha acontecido.
– Bom… Acho que entendi mais coisas esta noite do que nas últimas eras. – Disse Dara com um olhar voltado para a luminosidade fraca que se via na frente da gruta.
– Todos nós, meu amigo, todos nós. – Observou Ariel.
– Mas, – insistiu Zaniel – O que, especificamente, sobre o profeta?
Dara pensou um pouco e respondeu.
– Há duas coisas em minha mente. A visão no templo, no chamado para a missão. Os serafins… como todos nós… não ousamos olhar para o Trono diretamente. Quem se atreveria? Quem poderia?
– Sim. Eu sei. Eu estava lá. – Disse Ariel. – Ficamos em segundo plano enquanto os serafins cumpriam sua missão. Nenhum de nós seria tolo de olhar. Mesmo sendo uma visão dada ao profeta, era uma projeção de nossas atividades próximas ao trono.
– E? – Insistiu mais uma vez Zaniel.
– E agora… o Filho… Ele está ali… Como? Você sabe: Ele é infinito! Temos visto e nos alegrado com Sua majestade por eras e eras. É… É como…. Sabe? É como se naquela estrebaria… Uma estrebaria…
– Entendi – Disse Zaniel. – É como se aquela estrebaria fosse maior por dentro…
– Como se todo o universo criado coubesse ali… – Completou Ariel.
– Mais que o universo… Muito mais…
– Só Ele faz! – Disse Zaniel.
– Só Ele faz! – Repetiu Ariel.
– E não é só isso… Qualquer um pode olhar para ele, tocar nele. Ele tem que ser cuidado…
– É mesmo… – Ariel tinha um sorriso nos lábios enquanto falava. – Vocês viram a surpresa no rosto da parteira? Quando ela chegou e viu que o Senhor já havia… ehr… nascido…
– Ainda assim ela acabou ajudando bastante o casal. Maria estava exausta e José… bem… até que pra um macho humano ele não se saiu tão mal… – Falou Zaniel.
– De qualquer forma… A parteira cuidou Dele… Ele… precisou de cuidados…
Zaniel e Ariel, entendendo o significado disso, olharam para Dara alguns instantes. Depois os três desviaram os olhos para o horizonte ainda escuro e frio daquela madrugada. Faltavam várias horas ainda, para o amanhecer.
– Cada segundo de tudo que aconteceu nas últimas horas está gravado na minha mente. É assim com vocês também?
– Ah, claro, Dara. – Disse Ariel, espirituoso. – Até porque você mesmo se encarregou de ajudar nisso, não é “Zan” ? – E riu gostosamente.
– Com certeza, meu nobre Ariel… Com toda a certeza…
*
Pouco mais de duas horas antes
A resplandecência agora era tão forte, dentro e em volta da estrebaria, que devia equivaler à potência de vários sóis reunidos. Os anjos acompanharam o trabalho final da parteira – que, tendo perdido o parto, pelo menos auxiliou na limpeza, lavagem e arrumação do bebê. Ela o tinha nos braços, já limpo, quando perguntou a Maria sobre roupas ou panos. Maria pediu que lhe entregasse o filho enquanto tirava de uma sacola alguns panos, tiras trazidas para emergências nas viagens (algumas vezes tais panos eram usados para enrolar os mortos, no caso de alguém vir a falecer durante uma jornada).
Maria mesma envolveu seu bebê nos panos e o pôs na manjedoura, ao lado de sua “cama”. Os anjos não perdiam nada do que acontecia.
Dara estava maravilhado, intrigado, alegre, assim como seus amigos.
Então Miguel se levantou, juntamente com Gabriel e andaram na direção dos três anjos. As atenções de todos estavam como que divididas e eles se colocaram de pé, cada anjo pronto para o que fosse ordenado. Miguel parou diante de Ariel.
– Nobre e valente Leão do Trono, eu vos saúdo! – Disse o arcanjo e todos se admiraram, pois uma saudação, vinda de qualquer anjo, sempre significa uma missão importante.
– Meu senhor, estou à sua disposição para a glória do Eterno. – Respondeu Ariel, cada molécula de seu corpo – ou o que fosse equivalente a isso – pronta para atuar.
– Seu trabalho nessa região – continuou Miguel –, que sabemos ser amada por você, tem comprazido a todos os seus companheiros e trazido glória ao Trono. Você foi escolhido!
– O que meu senhor disser, Arcanjo.
– A uns dois quilômetros a noroeste está um grupo de pastores com seus rebanhos. Sei que você os conhece bem. É a eles que deve ser dada a notícia do que aconteceu aqui, hoje. E é você quem vai fazê-lo!
Um frêmito percorreu todo o imenso grupo. Cada anjo se regozijava com a tarefa. Gabriel, normalmente enviado para anúncios de tal magnitude, tinha um imenso sorriso no rosto, pois os anjos – assim como os eleitos de Deus – parecem ter mais alegria quando veem outros sendo honrados do que quando eles mesmos recebem a honra.
– Este humilde servo do Trono se regozija em poder cumprir a vontade do Soberano. – Respondeu Ariel, os olhos voltados para baixo e, se a luz pode chorar de alegria, faíscas piscavam de seus olhos – ou é assim que deveria ser descrito o que ocorria.
Zaniel estava quase explodindo de alegria e olhou para Dara, a fim de compartilhar o momento. Para sua surpresa, Dara não estava a seu lado! Sem entender o que qualquer anjo poderia estar fazendo num momento daqueles além de prestar atenção às palavras do Arcanjo, Zaniel olhou em volta procurando o amigo. Encontrou-o! E seu queixo caiu, seus olhos aumentaram e seus movimentos paralisaram com o que viu! As alterações em sua luminescência celestial foram tais que chamaram a atenção de Miguel. Este, vendo a atitude de Zaniel, procurou a causa da mesma, olhando para onde Zaniel olhava. Não pôde deixar de sorrir.
– Dara?! – Soou a voz do Arcanjo. Todos olharam na mesma direção.
Dara, em toda sua resplandecência, estava flutuando exatamente em cima do casal e da manjedoura, completamente absorto com a visão do Filho encarnado, uma criança humana, num berço improvisado e pobre. Ali ele pairava, como pronto a servir ou proteger a família. Despertado pela voz de Miguel, olhou alarmado, percebendo que todos tinham os olhos fixados nele… de novo. Muito tempo depois alguns anjos podiam afirmar que a luminescência de Dara tinha ficado ligeiramente avermelhada…
– Dara, – prosseguiu Miguel – sua intenção é nobre, mas desnecessária. – E completou de um jeito mais descontraído: – E saia logo daí, por favor. Se algum humano pudesse ver isso acharia que há auréolas sobre as cabeças dos pais e do bebê…
Os anjos riram, descontraidamente, mas logo voltaram ao assunto pendente:
– Vá Ariel! Cumpra sua missão. Informe os pastores do grande e alegre evento ocorrido esta noite. Diga-lhes também como encontrar este lugar: a manjedoura pode ser um excelente referencial, não?
– Certamente, senhor! Estou a caminho!
– E, Ariel?
– Sim, Arcanjo.
– Será impossível não assustá-los com a glória de sua presença. Lembre-se disso.
– Pode deixar, senhor. – Dizendo isso, todos viram quando o brilho de sua presença começou a aumentar para logo desaparecer num jato ascendente de luz celestial.
– Hemã! Lira Divina! – continuou Miguel.
– Aqui estou, Arcanjo!
– Sei que o coro celestial está pronto. Foi pra essa ocasião que vocês se prepararam. – E, falando para todos em redor, continuou – Vão. Sigam após Ariel. E logo que a mensagem for dada, que os homens saibam de nossa alegria pela salvação que vem do Trono. Vão! Podem ir!! Eu e Gabriel aqui ficaremos, vigiando. Depois, sigam de volta, cada um para sua missão. Mas vocês, Zaniel e Dara, juntamente com Ariel, devem retornar para este lugar, acompanhando os pastores. Ao chegarem aqui, receberão suas instruções. Agora, vão!
À ordem dada, cada um expandiu sua presença e glória. E subiram todos, desaparecendo em seguida. Miguel e Gabriel retornaram para junto da manjedoura e ali se ajoelharam, em adoração e prontidão.
Ariel não economizou ao cumprir a ordem!
Surgiu gloriosamente, como se um redemoinho de luz se formasse a cerca de dez metros de altura. Os pastores, cerca de quinze homens e rapazes, imediatamente ficaram paralisados de medo. Ariel resolveu agir com rapidez. Expandiu sua glória de modo que algo como uma parede de luz se desprendeu dele, cercando o grupo de homens e seus rebanhos. As ovelhas pareciam estar completamente tranquilas.
A voz angelical ressoou nos montes:
– Não tenham medo! Eis que eu trago para vocês boas notícias de grande alegria que será para todo o povo!!
Os pastores começaram a experimentar uma sensação difícil de explicar. A presença angelical, a luz celestial, ouvir uma boa notícia, tudo começava a produzir um efeito que ficava entre a total paralisia e vontade de voar. O anjo prosseguiu:
– Porque a vocês nasceu hoje, na cidade de Davi, – E, aqui, a voz de Ariel, bem como todo o seu ser, pareceu se transformar em luz vibrante, celestialmente ressonante, como algo que pudesse ser ouvido com a alma, mais do que com os ouvidos – o Salvador, que é Cristo, o Senhor!
Não é possível descrever o espanto e a alegria dos pastores. Ariel continuou:
– E isto será como um sinal pra vocês: encontrarão um bebê, envolto em panos e deitado numa manjedoura!
A sincronia de Hemã, líder do coro celestial, não poderia ser mais exata. Foi Ariel terminar sua mensagem e, repentinamente, a parede de luz que cercava homens e animais, elevou-se com rapidez, subindo como um chafariz imenso e luminoso. E agora não era mais a luz impessoal que os cercava, mas havia se transformado – ou isso pareceu aos olhos dos pastores – num imenso exército de anjos. As cores, o brilho, as formas, a dança… nenhuma aurora boreal jamais chegou nem perto de imitar. Tendo a luz subido, a escuridão no solo acentuou o brilho glorioso no céu!
Mas isso é o que se via – e que exigiu dos anjos todo o esforço para que retinas humanas pudessem perceber o máximo possível.
O que se ouviu, porém, era um tipo de música com escalas impossíveis, intervalos desconcertantes, ritmo capaz de desconjuntar ou dissociar moléculas. Anos mais tarde, o próprio Dara ouviu um dos pastores mais jovens contar ao neto: “Se eu tivesse que descrever, meu filho, eu só poderia dizer que, por alguns minutos meu corpo e minha alma foram desmanchados e reorganizados várias vezes, não sei nem como nem por quanto tempo. Sei que nunca vou esquecer o som que ouvi… está sempre em minha mente. E, ao mesmo tempo, sou totalmente incapaz de reproduzi-lo.”
Por falar em Dara, ele e Zaniel, bem atrás de Ariel, cantavam com todos os outros, sentindo o peso enriquecedor e doce de eras e eras do amor, da bondade e da perfeição do Trono. Aquela atitude de misericórdia e amor insistente do Eterno, para com seres tão estranhamente apáticos como os humanos, arrancava de dentro de cada anjo o mais sublime louvor. No que foi entendido pelos humanos presentes, a letra dizia:
“Glória a Deus nas mais altas alturas,
E sobre a terra paz
Entre os homens a quem Ele quer bem!”
Então, repentinamente, o silêncio. A noite e as estrelas estavam de volta. Os pastores ficaram ainda paralisados, olhando para o alto. Alguns imaginavam se não teriam sido as estrelas que cantaram…
Agora, apenas Zaniel, Dara e Ariel pairavam, invisíveis, sobre a colina e os rebanhos. Eles mesmos experimentavam uma certa dormência – se você conseguir imaginar feixes de luz flutuando lentamente no ar. Zaniel despertou:
– Ainda temos trabalho a fazer. Dara, é melhor ajuda-los, lá em baixo.
– É pra já!
– Basta uma leve… leve… eu ia dizer… expansão de sua presença…
Ariel ria abertamente. Dara não estava mais ali e Zaniel falava sozinho. Olhando para baixo os dois viram quando um novo “pastor” se juntou aos outros.
– Não se preocupe, Zan! – Ariel ainda ria. – Os homens provavelmente estão muito atordoados para notar um a mais ou a menos no grupo…
Dara, materializado, despertou o grupo de pastores:
– E então, irmãos?!
Todos piscaram algumas vezes, olharam em volta e, parecendo ignorar o estranho, começaram a dizer ao mesmo tempo “Vamos, vamos ver isso!”; “Sim, vamos até Belém!”; “O anjo falou em manjedoura. Procuremos um estábulo, uma estrebaria!”. E logo, tomando rapidamente providências quanto aos rebanhos, foram apressadamente na direção de Belém.
– Ele não vai subir?
– Acho que não, Ariel. Parece estar aproveitando cada momento.
– Bom, tecnicamente, ele está cumprindo a ordem de acompanhar os pastores.
Os dois se olharam. Logo, mais dois estranhos se juntaram ao alegre grupo que descia uma encosta na direção de Belém.
*
Uma hora e meia mais tarde, de volta à elevação, acima da gruta-estrebaria
– Eu também achava que a visita dos pastores cansaria ainda mais Maria.
– Pois não parecia, Dara. – Zaniel falava num tom alegre e amistoso. – Tive que impedi-lo duas vezes de bater na porta das casas para contar o que havia acontecido na colina.
– Mas os pastores pareciam tão alegres em fazer aquilo. Eu só me empolguei um pouco demais…
– “Um pouco demais”? – Ariel ria.
– Eu sei que você sabe que anunciar qualquer coisa a mais, sobre o Senhor, além do que foi estritamente ordenado, é tarefa dos homens. – Zaniel refletia. – Também sei que essa noite… Essa noite! Que noite!… Mas, enfim. Mesmo sendo uma noite especial, é preciso cumprir nossa missão à risca.
– Sim, Zaniel. Sei que é assim e, na verdade, isso me enche de alegria… De qualquer forma, foi muito proveitoso estar junto com eles…
– Dara, você não teve nada a ver com aquele pastor que deu duas ovelhas para José, não é?
Dara olhou constrangido para o chão. Tinha um olhar travesso, se isso é possível aos anjos.
– Eu suponho que ele iria dar as ovelhas de qualquer jeito, Zan…
– Zan!!! – Ariel ria alto, agora. Zaniel jogou as mãos pro alto, como se desistisse de alguma coisa.
– Além disso, identifiquei um parente de José entre os pastores. Coloquei os dois em contato e, amanhã, verão um local melhor para o casal.
– Isso foi bom, muito bom, Dara! – Exclamou com sinceridade Zaniel.
Dara voltou a olhar pensativamente o horizonte.
– Mas, e então, Dara? Qual a segunda coisa que fazia você pensar em Isaías?
O rosto de Dara mudou. Uma sombra passou por seus olhos. Zaniel e Ariel perceberam quando, mesmo encoberta pela materialização, sua resplandecência variou, como que diminuindo um pouco.
– O Servo Sofredor…
Os dois anjos, ouvindo isso, também se encolheram um pouco. Dara continuou após um incômodo momento de silêncio.
– Zaniel, eu disse que para haver sombra… é necessário haver luz.
– Sim. Estávamos chegando em Belém. – Zaniel tinha o olhar fixo no horizonte, também.
– A sombra sempre nos incomodou. Ainda não sei ao certo o que pensar disso. Não é algo agradável, certamente.
– Você sabe que o desvio ocorrido no início do mundo traz isso consigo. Muitas vezes.
– Sim. Mas, agora… – Ele olhou para a gruta, abaixo deles. – Ele se fez tocável… Pode ser atingido. Essa sombra… Ela vem dele mesmo. Ele é a Luz. Ele vai causar a sombra… Ele vai trazê-la… sobre Si mesmo. Até porque…
– …Só Ele faz! – Completou Zaniel.
– Só Ele faz! – Repetiu Ariel.
– Sombra e Luz; Justiça e Amor!
E, de repente, os três estavam invisíveis, dentro da gruta, ajoelhados e solenes. Novamente, alegria imensa. Adoração!
Maria dormia com uma das mãos pousadas sobre a borda da manjedoura. José havia sentado à entrada da gruta e cochilava um pouco. Não se sabe quanto tempo passou. Os três haviam expandido sua presença o suficiente para fazer José ficar tranquilo e dormir.
Ao final, foi Ariel quem quebrou o silêncio:
– Tenho que ir.
A essa palavra os três se levantaram e caminharam para o lado de fora da gruta-estrebaria. José dormia profundamente.
– Sei que Miguel quer que vocês permaneçam aqui, com o casal e o Filho. Então devemos nos encontrar daqui a um ano, mais ou menos.
– Um ano? Achei que você continuaria a servir por esses lados. – Disse Zaniel.
– E vou. – Ariel confirmou. – Mas daqui a um ano mais ou menos. Parece que uma das formas que a sombra pode assumir tentará algo contra o bebê.
Dara chegou a flutuar.
– Pois que tente…
– Dara! – A voz de Zaniel era profunda e compreensiva. Ele se voltou para Ariel. – Mas como sua ausência nos ajudará a prevenir isso?
– Vou trabalhar os próximos meses com Dubbiel.
– Vai para a Pérsia, então?
– Sim. Aparentemente, alguns sábios estão muito entusiasmados com as Letras de Daniel. Miguel quer garantir que eles compreendam corretamente o que estudam. – Ele ficou em silêncio por uns segundos enquanto os outros dois digeriam a informação. – Devemos ajudá-los e estimulá-los a vir conhecer o Rei. Vamos guia-los até aqui.
– E já pensou como vai fazer isso? – A pergunta veio de Dara.
– Acho que um sinal nos céus, talvez.
– Nada como desviar uma rocha celestial…
– Bem, com certeza será fácil eles seguirem um sinal assim… – Completou Ariel amistosamente.
Os três se olharam por um momento. Finalmente, despediram-se com palavras de bênção e de louvor ao Eterno. Ariel, então, simplesmente saiu de vista, deixando os outros dois sozinhos.
– Bem, Dara, o céu já está ficando alaranjado, no leste. Mais um dia de trabalho para a glória do Eterno!
– Sim. E que sejam eras. Mas o trabalho que nos espera é novo. Isso – e aqui ele apontou para a família adormecida, dentro da gruta-estrebaria. – Isso nunca aconteceu antes.
– Sabe o que os humanos dizem sobre coisas assim?
– Não, Zaniel.
– “Há sempre uma primeira vez”.
– Gostei disso. – Disse Dara, pensativo. E acrescentou: – Então, venha meu nobre servidor do Trono. Vamos começar esse novo dia de uma era inédita com adoração Àquele que faz!
– Só Ele faz! – Assentiu Zaniel.
– Só Ele faz! – Repetiu Dara.
Os dois voltaram a entrar na gruta silenciosa e ainda iluminada pela fraca luz de um braseiro (o outro havia se apagado). Ajoelharam sobre um joelho e entoaram canções de louvor. Muitos anos depois Maria diria que, embora estivesse cansada demais para ninar seu bebê, tinha a impressão de que ela mesma foi embalada por um acalanto. Quando perguntavam de onde poderia vir tal música, ela respondia simplesmente:
– Parecia vir dos céus…
PIBBRJ – Somos uma igreja batista de teologia reformada com valores cristocêntricos e fidelidade à Palavra de Deus.
Nós nos reunimos aos domingos:
Culto pela manhã: 9:30-11:00
Escola Bíblica: 11:15-12:00
Culto à noite: 18:30-20:00
Nossa igreja é frequentada por pessoas de faixas etárias, profissões e até nacionalidades variadas. Somos unidos menos por nossas afinidades e mais pelo pacto em comum que temos com Deus através de Jesus Cristo e selado pelo Espírito Santo. Temos muitas famílias com filhos entre nós e também pessoas que frequentam nossa igreja individualmente. Somos uma igreja relativamente pequena, com 50 a 80 pessoas em cada reunião. Temos o desejo e o compromisso de receber bem os nossos visitantes. Após o culto da noite, você é o nosso convidado para um lanchinho que fazemos no nosso salão.
Seguindo uma tendência reformada (e particularmente puritana), acreditamos que não há um centímetro quadrado do universo sobre o qual Jesus não diga “é meu”. Acreditamos que Deus sustenta o universo em sua providência e o abençoa em sua graça. Isso faz com que vejamos beleza mesmo nas coisas mais simples e rejeitemos uma distinção superficial entre o sagrado e o profano. Deus santifica todo tipo de coisas. Por causa destas crenças, nossos cultos são bastante simples. Isto se reflete no formato das nossas mensagens, nas nossas orações, nas músicas que cantamos e até na maneira como nos vestimos. Dizemos estas coisas porque queremos que você se sinta confortável em nosso meio, e acreditamos que, seja qual for sua história, isto é possível.
Os cultos começam rigorosamente nos horários estabelecidos. São dirigidos pelo nosso pastor ou por algum membro da igreja. Neles cantamos várias músicas, fazemos orações, ofertamos e ouvimos a Palavra de Deus ser lida, explicada e aplicada às nossas vidas.
As músicas que cantamos são uma mistura de antigos hinos e canções contemporâneas. Nosso critério é que as músicas tenham letras que reflitam o ensino das Escrituras e que assim nos edifiquem. Em geral somos músicos amadores, e preferimos o canto congregacional em uníssono a performances individuais, pois acreditamos que ao cantar juntos estamos como igreja oferecendo nosso louvor a Deus.
Os sermões em nossa igreja são geralmente expositivos e sempre fortemente amparados na Bíblia como Palavra de Deus. Muitas vezes é possível notar nossas ênfases doutrinárias nos sermões, mas este não é nosso objetivo fundamental. Queremos principalmente que a Palavra de Deus seja tornada viva para os que ouvem. Os sermões costumam durar entre 30 minutos e uma hora, e muitas vezes fazem parte de uma série sobre um livro ou um tema da Bíblia.
Após o sermão costumamos ter uma última oração ou um último cântico, ou os dois. Tipicamente o culto matutino termina às 11:00, com um breve intervalo antes da escola dominical. O culto à noite costuma ser encerrado às 20:00.
Nossa Escola Bíblica Dominical acontece após os culto pela manhã, geralmente às 11:00. Nela continuamos o estudo bíblico dentro de algum tópico ou livro. Temos classes para adultos, adolescentes e crianças. A classe de adultos costuma ser ministrada por nosso pastor ou por algum membro da igreja.
No primeiro domingo de cada mês nos reunimos às 8:00 para um culto de oração. Neste dia oramos pela nossa igreja, uns pelos outros e por outros motivos, principalmente para que Deus proteja e console nossos irmãos sofrendo perseguição, dando-lhes força para serem fiéis em todo o tempo, e também pelos povos não alcançados, ou seja, aqueles para os quais a Palavra de Deus ainda não está sendo pregada. Também usamos este tempo para orar adorando e louvando o nosso Deus por tudo o que ele tem nos feito. Após nosso culto de oração tomamos café da manhã juntos e prosseguimos com nosso culto matutino às 9:30.