– Acho que devíamos fazer alguma coisa.
– Nós estamos fazendo, Dara.
– Estamos parados, Zaniel.
– Estamos fazendo o que nos foi dito…
– Mas eles… Ela… Você a viu… Ela está extenuada, Zan!
– Zan? Ele chama você de Zan? – perguntou Ariel, interferindo pela primeira vez na conversa.
– Só quando quer me convencer de alguma coisa.
– Eles já bateram em várias portas. Ela vai dar à luz a qualquer momento.
– Eu sei, Dara.
Os três andavam alguns metros atrás do casal. A intensa movimentação de pessoas, na vila superpovoada em função do censo, começava a diminuir à medida que todos se dirigiam para suas casas. O frio da noite começava a chegar com intensidade.
– Melhor desmaterializar. Daqui a pouco eles vão notar a gente… – observou Ariel.
– Claro, pois só haverá nós e eles na rua…
– Dara!… – Censurou Zaniel, desaparecendo em seguida – no que foi imitado pelos outros dois.
– Aquela terceira casa poderia tê-los abrigado. – Dara continuou num tom bem mais humilde. – E nós estaríamos lá, também. Eles teriam hospedado anjos, sem saber…
– Algum dia alguém ainda vai escrever sobre isso. – Disse Ariel, rindo.
– Será que é para eles passarem a noite na rua? – Perguntou Dara,
– Se for pra ser assim… Ele sabe o que faz!
– Só Ele faz! – ajuntou Ariel.
– Só ele faz! – repetiu Dara.
Caminhavam em silêncio, agora. O céu ia ficando de uma nitidez intensa, à medida que a noite chegava. E a temperatura caia um pouco mais. Os três pararam, observando enquanto José tentava, mais uma vez, achar um lugar onde pudessem ficar – e, ao que tudo indicava, esperarem a chegada de seu bebê.
Enquanto aguardavam, Dara observou em volta. Um incômodo crescia dentro dele causado, justamente, por aquilo de que necessitavam. Havia um ar de aconchego, de fogo acesso e comida quente no interior das casas próximas. Podiam perceber, com seus sentidos apurados, as vozes que se achegavam umas às outras, junto às panelas e terrinas de comida. Dara pensava em como seria fácil forçar e arranjar um lugar para o casal – e também como isso seria um ato de desonra sem preço. Os outros dois, embora um pouco mais acostumados ao comportamento humano, compartilhavam com ele do incômodo percebido. José voltara para junto de Maria e balançava a cabeça negativamente. Ela juntou mais o manto que a cobria, olhando o final da vila logo à frente. Os três anjos perceberam quando o rosto cansado da Menina retornou um sorriso encorajador pro marido, enquanto ela dizia algo.
Se feixes de luz podem se emocionar, então foi o que aconteceu.
– “Vamos continuar… Algo vai surgir…” – falou Zaniel repetindo as palavras que acabara de ouvir. Olhou para Dara e Ariel, um leve sorriso estampado no rosto, e inclinou a cabeça indicando que o casal já se movimentava.
Um barulho atrás deles chamou a atenção. Ao voltarem-se em direção ao som, viram um rapaz que acabara de sair da última porta visitada pelo casal. Olharam enquanto o jovem passava por eles, apressadamente, e se dirigia a José e Maria:
– Peregrinos, peregrinos!!
José voltou-se imediatamente. O jovem parou diante dele, curvou-se e, um pouco ofegante, continuou:
– Meu Senhor pede que o perdoem, mais uma vez, pois realmente não temos nenhuma vaga na estalagem. Ele fica constrangido de oferecer o único lugar possível e o faz para que vocês tenham onde se abrigar. Mas, de antemão, pede que o desculpem.
– E que lugar seria esse? – perguntou José enquanto os anjos prestavam toda a atenção à conversa. O servo, visivelmente envergonhado, tinha os olhos voltados para o chão quando respondeu.
– Dando a volta por trás da vila, há uma, ahn… pequena gruta que tem servido… – ele falava tão baixo, agora, que se não fosse a privilegiada audição dos anjos, não teriam conseguido ouvir o que dizia.
– Sim? – Incentivou Maria, agora olhando com atenção o rapaz.
– Tem… servido de estrebaria para a estalagem…
Os anjos se olharam, estupefatos. Por um momento, se alguém olhasse na direção deles, veria uma leve ondulação na noite, um reflexo de refração.
– Estrebaria?! – José elevara um pouco a voz. O servo continuou com alguma dificuldade.
– Mas, meu senhor, é pelo menos um local abrigado. A palha é nova e seca; eu mesmo fui quem a recolheu hoje, mais cedo. E meu mestre está separando um ou dois braseiros que poderão aquecer o lugar com segurança…
– Eu poderia mostrar pra esse sujeito como se aquece mesmo um lugar. E com as pessoas dentro! – Disparou Dara, que não conseguia mais esconder a indignação.
– Dara! – A voz de Zaniel era quase dura, agora. – Nem pense nisso. Se houvesse alguma intervenção a mais a ser feita teríamos sido informados. Controle-se. Vejamos o que vai acontecer.
– Mas… – Tentou Dara, ainda.
– Dara!! – O tom de Zaniel foi definitivo. Dara calou-se. A conversa havia prosseguido entre os outros três caminhantes que, agora, se dirigiam para o fim do vilarejo com o objetivo de dar a volta para os fundos da rua. Aparentemente Maria havia interferido na crescente indignação de José e argumentado que uma estrebaria seria melhor que nenhum lugar. O jovem servo os deixou por um instante, indo atrás de uma tocha. A noite caíra rapidamente nos últimos minutos e o frio aumentava. O rapaz reapareceu com a tocha, seguido por outro, mais novo, que trazia uma grande caixa aparentemente bem pesada. Num instante, todos haviam dado a volta e se viram parados diante de uma pequena e escura entrada existente na encosta que abrigava parte da vila dos ventos vindos do oeste. Os dois rapazes entraram rapidamente e começaram a mover coisas de um lado para outro. Um deles saiu com uma vaca e um jumento que, de alguma forma, cabiam juntos, lá dentro.
– Vou pô-los aqui ao lado, sob esta cobertura. Eles ficarão bem. – Dizia o mais velho, ansioso. – A encosta protege dois lados; o tapume, ali, protege mais um. E nós vamos… …
Os cinco ficaram olhando enquanto os dois jovens trabalhavam. Rapidamente uma forração foi feita, de modo que, com um pano grosso e limpo, um monte de palha passou a se parecer com um colchão. Um pano mais fino foi posto por cima. Dois fogareiros foram colocados, um de cada lado da “cama”. Uma lamparina, que ali já estava, foi acesa e recolocada em seu lugar, no alto. Enquanto o rapaz mais novo desapareceu, apressado, em direção à estalagem, o mais velho continuava a trabalhar: a grande caixa, deitada de lado, virou uma espécie de mesa e armário; uma bilha considerável foi colocada sobre ela, cheia de água; mais lençóis e panos limpos surgiram, de dentro da caixa, e foram cuidadosamente colocados sobre o colchão. O servo mais jovem retornou trazendo uma espécie de bandeja de borda alta na qual havia uma terrina fumegante, com sopa. Duas cumbucas e uns talheres, além de um pedaço de pão, estavam junto à terrina. Ela foi colocada sobre a mesa improvisada e os dois jovens ficaram parados em pé, meio de lado, olhares ansiosos como que a esperar a aprovação do casal. Maria e José se adiantaram um pouco, parando na entrada da gruta-estrebaria. Zaniel olhou para Dara com uma expressão de “Não falei?” estampada no rosto. Dara assentiu, com a cabeça. E assim ficaram os sete, parados por uns segundos. De repente, Zaniel pareceu ter um estalo:
– Êpa! Agora eu tenho que intervir!! – Dizendo isso, ele se deslocou aproximando-se do servo mais jovem. A atitude do anjo, invisível e radiante, se tivesse que ser descrita em termos físicos, seria algo como uma cotovelada discreta…
O mais jovem dos serviçais, tendo uma espécie de sobressalto, pareceu notar, de repente, a barriga de Maria. Saltou para os fundos da estrebaria e trouxe de lá uma manjedoura de tamanho pequeno. Rapidamente colocou-a ao lado da “cama”, forrou com palha nova e limpa, e recobriu com um pano também limpo. Voltou a se colocar ao lado do companheiro com o olhar meio ansioso, meio satisfeito, aguardando.
Maria olhou, e sorriu.
José sorriu.
Os dois servos sorriram, aliviados e recompensados.
Os três anjos sorriram também.
– Por que a manjedoura? – Perguntou Dara, intrigado.
– Eu não sei. Mas fui ordenado a proceder assim. – Respondeu Zaniel.
E os três ficaram olhando o quadro, como que a memorizar cada detalhe de toda a cena.
PIBBRJ – Somos uma igreja batista de teologia reformada com valores cristocêntricos e fidelidade à Palavra de Deus.
Nós nos reunimos aos domingos:
Culto pela manhã: 9:30-11:00
Escola Bíblica: 11:15-12:00
Culto à noite: 18:30-20:00
Nossa igreja é frequentada por pessoas de faixas etárias, profissões e até nacionalidades variadas. Somos unidos menos por nossas afinidades e mais pelo pacto em comum que temos com Deus através de Jesus Cristo e selado pelo Espírito Santo. Temos muitas famílias com filhos entre nós e também pessoas que frequentam nossa igreja individualmente. Somos uma igreja relativamente pequena, com 50 a 80 pessoas em cada reunião. Temos o desejo e o compromisso de receber bem os nossos visitantes. Após o culto da noite, você é o nosso convidado para um lanchinho que fazemos no nosso salão.
Seguindo uma tendência reformada (e particularmente puritana), acreditamos que não há um centímetro quadrado do universo sobre o qual Jesus não diga “é meu”. Acreditamos que Deus sustenta o universo em sua providência e o abençoa em sua graça. Isso faz com que vejamos beleza mesmo nas coisas mais simples e rejeitemos uma distinção superficial entre o sagrado e o profano. Deus santifica todo tipo de coisas. Por causa destas crenças, nossos cultos são bastante simples. Isto se reflete no formato das nossas mensagens, nas nossas orações, nas músicas que cantamos e até na maneira como nos vestimos. Dizemos estas coisas porque queremos que você se sinta confortável em nosso meio, e acreditamos que, seja qual for sua história, isto é possível.
Os cultos começam rigorosamente nos horários estabelecidos. São dirigidos pelo nosso pastor ou por algum membro da igreja. Neles cantamos várias músicas, fazemos orações, ofertamos e ouvimos a Palavra de Deus ser lida, explicada e aplicada às nossas vidas.
As músicas que cantamos são uma mistura de antigos hinos e canções contemporâneas. Nosso critério é que as músicas tenham letras que reflitam o ensino das Escrituras e que assim nos edifiquem. Em geral somos músicos amadores, e preferimos o canto congregacional em uníssono a performances individuais, pois acreditamos que ao cantar juntos estamos como igreja oferecendo nosso louvor a Deus.
Os sermões em nossa igreja são geralmente expositivos e sempre fortemente amparados na Bíblia como Palavra de Deus. Muitas vezes é possível notar nossas ênfases doutrinárias nos sermões, mas este não é nosso objetivo fundamental. Queremos principalmente que a Palavra de Deus seja tornada viva para os que ouvem. Os sermões costumam durar entre 30 minutos e uma hora, e muitas vezes fazem parte de uma série sobre um livro ou um tema da Bíblia.
Após o sermão costumamos ter uma última oração ou um último cântico, ou os dois. Tipicamente o culto matutino termina às 11:00, com um breve intervalo antes da escola dominical. O culto à noite costuma ser encerrado às 20:00.
Nossa Escola Bíblica Dominical acontece após os culto pela manhã, geralmente às 11:00. Nela continuamos o estudo bíblico dentro de algum tópico ou livro. Temos classes para adultos, adolescentes e crianças. A classe de adultos costuma ser ministrada por nosso pastor ou por algum membro da igreja.
No primeiro domingo de cada mês nos reunimos às 8:00 para um culto de oração. Neste dia oramos pela nossa igreja, uns pelos outros e por outros motivos, principalmente para que Deus proteja e console nossos irmãos sofrendo perseguição, dando-lhes força para serem fiéis em todo o tempo, e também pelos povos não alcançados, ou seja, aqueles para os quais a Palavra de Deus ainda não está sendo pregada. Também usamos este tempo para orar adorando e louvando o nosso Deus por tudo o que ele tem nos feito. Após nosso culto de oração tomamos café da manhã juntos e prosseguimos com nosso culto matutino às 9:30.