– Essa foi mais forte.
– Deve ser a qualquer momento, agora.
– O garoto não terá encontrado a parteira, ainda?
– Dara, você poderia… Dara? Cadê ele?
– Onde você acha? A esta altura deve estar arrebatando o rapaz e fazendo-o voar – literalmente – até à mulher. – Respondeu Ariel contendo o riso.
Nem ele nem Zaniel perceberam o momento em que Dara saiu. Estavam completamente atentos ao que ocorria na gruta-estrebaria: Maria tinha provado uma colher da sopa trazida quando, repentinamente, curvou-se, deixando cair o resto no chão. José a ajudara a se deitar e pediu a Simão – o servo mais velho – para trazer uma parteira. O rapaz saiu e as contrações continuaram, cada vez mais próximas umas das outras.
– A Menina está incrivelmente calma para quem está dando à luz pela primeira vez. – Comentou Zaniel.
– Estou vendo. Há graça sobre ela, você sabe.
– Sim. E até por isso, embora seja a primeira vez com ela mesma, a Menina já auxiliou parteiras antes. O parto mais recente foi o de João, filho de Zacarias e Isabel.
– Só não entendi porque ela pediu ao marido para ficar na porta, quase fora da gruta! – Os dois anjos se voltaram ao ouvir esse comentário vindo de trás deles. Era Dara que acabara de chegar, sozinho, e com um semblante intrigado.
– Salve, Dara! Estávamos imaginando o que você estaria fazendo. – Disse Ariel.
– Eu tentei auxiliar o rapaz. Encontramos a parteira. Mas, aí, parece que toda sorte de coisas aconteceu para atrasa-la. Acabei percebendo que há algo mais acontecendo. De qualquer modo, vão se atrasar, pelo que estou vendo.
– Não há atrasos aqui, Dara; e você sabe disso. Ele faz tudo no tempo perfeito.
– Só Ele faz!
– Só Ele faz! – Dara repetiu. Um momento de silêncio se seguiu enquanto Maria experimentava outra contração.
– Então? – Insistiu Dara. – Por que ela pediu que o marido ficasse à porta?
Foi Ariel quem respondeu.
– As mulheres são mais fortes que os homens pra esse tipo de coisa. José não sabe o que fazer e o nervosismo dele pode acabar afetando Maria. Assim, ela – como a maior parte das mulheres – prefere enfrentar isso sozinha, embora mantendo-o por perto. – E, depois, olhando diretamente para Dara. – Você não conhece muito os humanos, não?
– Achei que Zaniel havia lhe falado que eu…
– O rapaz está voltanto. – Interrompeu Zaniel. – E vem sozinho!…
Os três observaram enquanto Simão se dirigia a José e falava com ele. Quando o rapaz foi embora, José se voltou e disse a Maria o resultado da busca.
– “Está vindo, mas ainda está longe.”? – Dara repetiu as palavras de José, tentando entender.
– Está tudo no controle Dele, Dara. Só Ele faz!
– Só Ele faz. – Repetiram Dara e Ariel.
– Só Ele faz!! – Disseram três vozes atrás deles. Os três se voltaram. Quem olhasse com atenção, se soubesse o que procurar, teria a impressão de ver o ar frio da noite parecendo refratar-se, ligeiramente.
– Uriel! Sorath!! Vocês aqui? – Exclamou Ariel com surpresa, esquecendo-se de saudá-los. – Quase não os vejo desde… desde Sodoma!
– Hemã!! – Falou Dara. – Você também?! Que surpresa! Mas… Você… Então… Vai haver música?!
Enquanto os seis anjos se olhavam, Zaniel se recuperou da surpresa:
– Salve! Estrelas da Alva! Chegam à noite, mas trazem a luz do Trono com vocês! Sejam bem-vindos!!
Enquanto falava, muitos outros foram surgindo ao redor. De fato, se não fossem capazes de se moverem em dimensões diferentes da física, seria impossível o ajuntamento.
Uma resplandecência ligeiramente âmbar se colocou ao lado de Dara.
– Zarius!! – Dara exclamou com alegria, e abraçou o amigo. A quem conseguisse ver, a pequena vila de Belém pareceria ter desaparecido em meio a uma enorme constelação de brilho celestial. O jumento e a vaca, postados à esquerda da entrada da gruta, pareciam ter os olhos arregalados. Mas nunca se soube se viram ou perceberam alguma coisa.
Apesar da surpresa inicial, não houve tempo para cumprimentos e conversas – Maria acabava de ter mais uma contração.
– José! – Apesar do que pudesse preferir, ela chamou o marido. Se pudesse ver, José perceberia uma multidão de mãos luminosas a conduzi-lo na direção da esposa. Mas foram as mãos de José que seguraram as de Maria. A contração passou. O silêncio angelical, desnecessário já que os humanos não os ouviam, parecia afetar o ambiente, de alguma forma.
– Há algo estranho aqui, não? – Observou José.
– Acho,… – falou Maria, rosto suado, entrecortando as palavras – …acho que… ainda vamos ver… muitas coisas estranhas, José.
– Você acha?! – Exclamou Dara, repentinamente. Sentiu milhares de pares de olhos em sua direção, expressando surpresa com a quebra do silêncio.
Mas isso não durou muito, pois, naquele exato momento, duas auras se apresentaram e, diante delas, todos inclinaram ligeiramente a cabeça: Miguel e Gabriel entraram na gruta andando, como se tivessem vindo pela estrada até à vila e à estrebaria. Dara olhou para Zaniel e, se anjos podem arregalar os olhos, era isso que estava estampado em sua face, como a perguntar “Miguel? Miguel aqui?!” O momento, já solene, se revestiu de uma intensidade maior. A maioria não sabia exatamente o que tudo aquilo significava; todos estavam prontos para qualquer missão – à voz de qualquer palavra de ordem que fosse dada –, mas não estavam a par de todos os detalhes. Esperavam e se admiravam quase com a mesma disposição. Enquanto os dois recém-chegados se dirigiam para o casal, Dara e os demais, considerando tudo até ali, sentiam crescer dentro deles o espanto, a expectativa – e uma mistura de intensa alegria com uma conclusão que, se traduzida para nossa linguagem, teríamos de usar a palavra… apavorante.
Em poucos minutos as contrações aumentaram. Finalmente, com um grito mais de esforço que de desespero, Maria curvou-se uma última vez enquanto José, nervoso e desajeitado, procurava ajudá-la.
Um choro se ouviu na noite em Belém.
Todos os anjos se puseram sobre um dos joelhos, a começar por Miguel.
A Canção, depois de milênios, estava sendo entoada outra vez…
PIBBRJ – Somos uma igreja batista de teologia reformada com valores cristocêntricos e fidelidade à Palavra de Deus.
Nós nos reunimos aos domingos:
Culto pela manhã: 9:30-11:00
Escola Bíblica: 11:15-12:00
Culto à noite: 18:30-20:00
Nossa igreja é frequentada por pessoas de faixas etárias, profissões e até nacionalidades variadas. Somos unidos menos por nossas afinidades e mais pelo pacto em comum que temos com Deus através de Jesus Cristo e selado pelo Espírito Santo. Temos muitas famílias com filhos entre nós e também pessoas que frequentam nossa igreja individualmente. Somos uma igreja relativamente pequena, com 50 a 80 pessoas em cada reunião. Temos o desejo e o compromisso de receber bem os nossos visitantes. Após o culto da noite, você é o nosso convidado para um lanchinho que fazemos no nosso salão.
Seguindo uma tendência reformada (e particularmente puritana), acreditamos que não há um centímetro quadrado do universo sobre o qual Jesus não diga “é meu”. Acreditamos que Deus sustenta o universo em sua providência e o abençoa em sua graça. Isso faz com que vejamos beleza mesmo nas coisas mais simples e rejeitemos uma distinção superficial entre o sagrado e o profano. Deus santifica todo tipo de coisas. Por causa destas crenças, nossos cultos são bastante simples. Isto se reflete no formato das nossas mensagens, nas nossas orações, nas músicas que cantamos e até na maneira como nos vestimos. Dizemos estas coisas porque queremos que você se sinta confortável em nosso meio, e acreditamos que, seja qual for sua história, isto é possível.
Os cultos começam rigorosamente nos horários estabelecidos. São dirigidos pelo nosso pastor ou por algum membro da igreja. Neles cantamos várias músicas, fazemos orações, ofertamos e ouvimos a Palavra de Deus ser lida, explicada e aplicada às nossas vidas.
As músicas que cantamos são uma mistura de antigos hinos e canções contemporâneas. Nosso critério é que as músicas tenham letras que reflitam o ensino das Escrituras e que assim nos edifiquem. Em geral somos músicos amadores, e preferimos o canto congregacional em uníssono a performances individuais, pois acreditamos que ao cantar juntos estamos como igreja oferecendo nosso louvor a Deus.
Os sermões em nossa igreja são geralmente expositivos e sempre fortemente amparados na Bíblia como Palavra de Deus. Muitas vezes é possível notar nossas ênfases doutrinárias nos sermões, mas este não é nosso objetivo fundamental. Queremos principalmente que a Palavra de Deus seja tornada viva para os que ouvem. Os sermões costumam durar entre 30 minutos e uma hora, e muitas vezes fazem parte de uma série sobre um livro ou um tema da Bíblia.
Após o sermão costumamos ter uma última oração ou um último cântico, ou os dois. Tipicamente o culto matutino termina às 11:00, com um breve intervalo antes da escola dominical. O culto à noite costuma ser encerrado às 20:00.
Nossa Escola Bíblica Dominical acontece após os culto pela manhã, geralmente às 11:00. Nela continuamos o estudo bíblico dentro de algum tópico ou livro. Temos classes para adultos, adolescentes e crianças. A classe de adultos costuma ser ministrada por nosso pastor ou por algum membro da igreja.
No primeiro domingo de cada mês nos reunimos às 8:00 para um culto de oração. Neste dia oramos pela nossa igreja, uns pelos outros e por outros motivos, principalmente para que Deus proteja e console nossos irmãos sofrendo perseguição, dando-lhes força para serem fiéis em todo o tempo, e também pelos povos não alcançados, ou seja, aqueles para os quais a Palavra de Deus ainda não está sendo pregada. Também usamos este tempo para orar adorando e louvando o nosso Deus por tudo o que ele tem nos feito. Após nosso culto de oração tomamos café da manhã juntos e prosseguimos com nosso culto matutino às 9:30.